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| Rã-verde (Pelophylax perezi) |
UMA QUESTÂO
DE VÓZ
São nove
horas da manha, está quente e húmida a manha de abril, mas não se pode dizer
que á volta deste charco do Marachão estejam tranquilos. A manha ressoa com o coaxar de milhares de
rás-verdes.
Cada rá
enche de ar os sacos de pele que tem dos lados da boca, até ficar translúcido,
quase a rebentar.
O saco é a
caixa de ressonância graças à qual o seu som de chamada ecoa mais longe. Enquanto
coaxam, o corpo das rá torne-se rígido. Coaxar é difícil e elas estão a
fazer-lo desde o crepúsculo do dia anterior.
As rás que
coaxam são machos, as fêmeas ás quais se destina tal serenata deslizam
silenciosamente para a água, atraídas pelo chamamento dos machos. Como tem que
optar entre muitos machos que chamam na escuridão da noite, a sua escolha
baseia-se no som do chamamento.
Cada fêmea
que chega ao charco vem carregada de ovos, para produzir a maior quantidade
possível e quer ter a certeza de que serão devidamente fertilizados.
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